“Alguém está sendo ganancioso”: Tim Schafer critica onda de demissões na indústria de games
Fundador da Double Fine diz não entender por que o mercado continua eliminando empregos enquanto jogadores seguem consumindo games e empresas continuam faturando.
Fundadora & Diretora Editorial
A indústria de games atravessa há anos uma sequência de fechamentos de estúdios, reestruturações e demissões em massa. Para Tim Schafer, fundador da Double Fine Productions e criador de jogos como Psychonauts, Grim Fandango e Full Throttle, existe algo nesse cenário que simplesmente não fecha.
Em uma entrevista à BBC News, Schafer afirmou que já não consegue compreender completamente a economia por trás da produção de videogames. O desenvolvedor acreditava que períodos de demissões faziam parte de um ciclo que eventualmente seria seguido por novas contratações, mas observa que a fase negativa já dura aproximadamente quatro anos.
E foi justamente ao tentar entender por que os cortes continuam acontecendo que o veterano levantou uma hipótese bastante direta: “Eu simplesmente presumo que alguém esteja sendo ganancioso em algum lugar.”
Tim Schafer diz não entender mais a economia dos games
Schafer explicou que, durante muito tempo, enxergava as demissões da indústria como parte de um ciclo. Empresas reduziam suas equipes e, algum tempo depois, percebiam que precisavam novamente de profissionais para desenvolver seus próximos projetos.
O problema, segundo ele, é que a recuperação que deveria completar esse ciclo não aconteceu da maneira que esperava.
“Está em baixa há uns quatro anos e eu não sei por quê.”
Para o fundador da Double Fine, a situação é particularmente difícil de compreender porque as pessoas continuam jogando videogames e existe dinheiro circulando na indústria.
“Alguém está sendo ganancioso em algum lugar”
Ao comentar a diferença entre o interesse do público pelos videogames e a quantidade de profissionais perdendo seus empregos, Schafer afirmou não saber exatamente por que existe uma perda tão grande de postos de trabalho.
Foi nesse contexto que surgiu a declaração que rapidamente ganhou repercussão:
“Eu simplesmente presumo que alguém esteja sendo ganancioso em algum lugar.”
A fala deve ser entendida como a interpretação pessoal de Schafer sobre o momento da indústria. O próprio desenvolvedor reconhece que não possui uma explicação econômica definitiva para o fenômeno e não apontou uma empresa ou executivo específico como responsável.
Ainda assim, a declaração chama atenção justamente por partir de alguém que acompanha o desenvolvimento de videogames profissionalmente há décadas e que recentemente enfrentou uma situação semelhante dentro da própria Double Fine.
Double Fine também enfrentou a incerteza dentro do Xbox
A entrevista acontece em um momento particularmente importante para a Double Fine. Depois de integrar o Xbox Game Studios, o estúdio voltou a operar de maneira independente.
Schafer revelou que inicialmente acreditou que a Double Fine simplesmente seria encerrada. A possibilidade de manter o estúdio vivo surgiu posteriormente, levando a equipe a negociar sua independência.
Segundo o fundador, a Double Fine tomou conhecimento dos rumores sobre seu futuro antes de ter clareza sobre o que aconteceria. Quando percebeu que existiam outras opções além do fechamento, Schafer decidiu lutar pela continuidade do estúdio.
Para ele, a Double Fine ocupa um espaço incomum na indústria ao conseguir trabalhar tanto em experiências menores quanto em projetos maiores, como Psychonauts 2.
A independência não eliminou os problemas
Sair de uma grande estrutura corporativa também não significa escapar da instabilidade.
Schafer reconhece que desenvolvedores independentes enfrentam outro tipo de risco. Enquanto funcionários de grandes produções podem perder seus empregos após o lançamento de um projeto, pequenos estúdios precisam lidar diretamente com a possibilidade de simplesmente ficarem sem dinheiro.
Na visão do desenvolvedor, portanto, não existe atualmente um lado completamente seguro: grandes produções oferecem estrutura e recursos, mas vêm sofrendo com cortes agressivos; equipes independentes conquistam maior autonomia, porém assumem riscos financeiros maiores.
Schafer ainda vê criatividade na indústria
Apesar do cenário negativo envolvendo empregos, Tim Schafer não acredita que a criatividade esteja desaparecendo dos videogames.
Ele destacou especialmente a vitalidade da cena independente, mas fez questão de dizer que não considera apenas os indies criativos. Para Schafer, grandes produções AAA também continuam realizando trabalhos interessantes.
A diferença está principalmente nas condições enfrentadas pelos profissionais. Segundo ele, trabalhar em grandes produções se tornou uma experiência mais estressante diante da possibilidade de uma equipe terminar um jogo e sofrer demissões logo depois.
Uma indústria que continua atraindo quem quer criar jogos
Mesmo diante dessa instabilidade, Schafer acredita que existe uma razão para tantos desenvolvedores permanecerem no setor.
Para ele, muitas pessoas não escolheram trabalhar com videogames pela estabilidade ou pelo estilo de vida, mas simplesmente porque desenvolver jogos era aquilo que queriam fazer.
O desejo de Schafer é que a indústria consiga chegar a um ponto em que profissionais criativos tenham espaço para desenvolver seus projetos sem viver constantemente preocupados com a possibilidade de perder o emprego ou não conseguir sustentar suas famílias.
Depois de aproximadamente quatro anos de turbulência, a pergunta levantada pelo fundador da Double Fine continua relevante: se jogadores continuam interessados em videogames e o mercado continua movimentando dinheiro, por que tantos profissionais ainda estão perdendo seus empregos?
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Autoria editorial oficial do PatchNexo
Fundadora e Diretora Editorial do PatchNexo, gamer apaixonada por RPGs, MMORPGs e novas descobertas. Une sua experiência em comunicação digital, SEO e tecnologia ao jornalismo de games.

