PLAYNEFRON: como videogames estão transformando a experiência de pacientes em hemodiálise

Em entrevista exclusiva ao PatchNexo, Patrick Abdoral conta como games ajudam a criar uma ponte entre pacientes e fisioterapia no Hospital Gaspar Vianna.

Gennesys

Fundadora & Diretora Editorial

Atualizado há pouco
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PLAYNEFRON: como videogames estão transformando a experiência de pacientes em hemodiálise

Um videogame em uma sala de hemodiálise pode parecer deslocado à primeira vista. No Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, em Belém (PA), porém, controles e jogos passaram a integrar uma proposta de fisioterapia que busca tornar o tratamento mais participativo. O nome é PLAYNEFRON, iniciativa idealizada pelo fisioterapeuta Patrick Roberto Gomes Abdoral. Em entrevista concedida ao PatchNexo, ele explicou como a experiência começou, o cuidado necessário para executá-la e o que mudou na relação de parte dos pacientes com a reabilitação.

A hemodiálise exige permanência prolongada em tratamento, normalmente com restrições relacionadas aos acessos vasculares e à condição clínica de cada pessoa. Nesse contexto, o PLAYNEFRON não coloca um console na frente do paciente para simplesmente passar o tempo. A proposta é usar atividades interativas e lúdicas, incluindo jogos com movimento, como ferramentas inseridas em um plano fisioterapêutico individualizado.

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Da resistência à fisioterapia ao interesse em participar

Patrick conta que a primeira reação de muitos pacientes foi de curiosidade. Alguns inicialmente não queriam realizar exercícios ou preferiam não ser abordados durante a sessão. Quando as atividades passaram a ser apresentadas por meio de jogos, entretanto, parte desse público aceitou experimentar. Segundo ele, houve pacientes que passaram a perguntar quando poderiam participar novamente.

O resultado mais expressivo relatado na entrevista diz respeito à aceitação do acompanhamento fisioterapêutico no terceiro turno de hemodiálise: de 36,71% no início de sua atuação naquele público para 100% no momento informado ao PatchNexo. O mesmo indicador foi mencionado pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) em outubro de 2026.

Há outro registro que ajuda a compreender a trajetória. Um resumo científico publicado no Brazilian Journal of Nephrology, nos anais do Congresso Paulista de Nefrologia de 2025, descreve 19 pacientes atendidos, com adesão de 100% às terapias propostas naquele grupo. O texto também relata melhora de amplitude de movimento, redução de dores e relatos positivos de bem-estar. Os números de 19 participantes e de capacidade por turno não devem ser confundidos: representam recortes diferentes da iniciativa.

É igualmente importante entender o alcance dessa evidência. Trata-se de um relato de experiência, não de um ensaio clínico controlado. As observações são relevantes para a prática do serviço, mas, sem comparação controlada e dados completos de acompanhamento, não permitem atribuir todas as mudanças exclusivamente aos jogos nem afirmar cura ou ganhos clínicos universais.

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Jogar com segurança não é jogar de qualquer jeito

Durante a sessão, os pacientes podem estar conectados à hemodiálise por fístula arteriovenosa ou cateter, e movimentos inadequados podem comprometer o acesso. Por isso, Patrick explica que cada participação depende de avaliação da condição funcional e clínica: estabilidade hemodinâmica, intercorrências, estado de consciência, capacidade de seguir comandos e sintomas que contraindiquem a atividade são considerados antes de começar.

Os exercícios e a maneira de segurar ou movimentar os controles são adaptados individualmente. O profissional não apresentou ao PatchNexo uma lista fechada de títulos do Nintendo Switch atualmente utilizados; explicou que a seleção é guiada pelas possibilidades de movimento e pelos objetivos terapêuticos de cada pessoa, e não pela popularidade do jogo.

A implantação também exigiu diálogo com a direção hospitalar, equipes assistenciais e setores responsáveis por segurança e controle de infecção, além de instruções de trabalho e protocolos. Patrick buscou especialização multiprofissional em nefrologia para aprofundar o conhecimento necessário à atuação naquele ambiente. Segundo ele, a colaboração da equipe foi decisiva: a iniciativa não se sustenta apenas na presença de um videogame, mas no trabalho conjunto de diferentes profissionais.

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Uma nova maneira de construir vínculo com o paciente

Patrick tem familiaridade com videogames desde a graduação, quando experimentou dispositivos como Nintendo Wii, Wii U e Xbox Kinect em contextos ligados à reabilitação. Na conversa com o PatchNexo, contou que o surpreendente não foi descobrir que a tecnologia poderia ter utilidade, mas observar a mudança na disposição das pessoas e o envolvimento da equipe.

Para ele, o que começou como uma paixão por fisioterapia, tecnologia e games ganhou sentido porque os pacientes aceitaram experimentar uma abordagem diferente. Sua síntese para a proposta é direta: “não é simplesmente brincar, é reabilitar”. A frase também ajuda a evitar uma leitura apressada do projeto. Não se trata de defender que qualquer jogo substitua fisioterapia, mas de reconhecer que uma experiência lúdica, quando cuidadosamente planejada, pode ajudar a abrir portas para o tratamento.

Fontes e apuração: entrevista de Patrick Roberto Gomes Abdoral ao PatchNexo, complementada pelo relato de experiência de 2025 e pela comunicação oficial do COFFITO de 2026.

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Gennesys Fundadora & Diretora Editorial

Autoria editorial oficial do PatchNexo

Fundadora e Diretora Editorial do PatchNexo, gamer apaixonada por RPGs, MMORPGs e novas descobertas. Une sua experiência em comunicação digital, SEO e tecnologia ao jornalismo de games.

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